Instituto de História Contemporânea / Faculdade de Ciências Socias e Humanas / Universidade Nova de Lisboa

4. 1974-1986. Revolução e Democracia
No dia 25 de Abril de 1974, o Movimento das Forças Armadas (MFA) leva a cabo um golpe de estado que, em menos de 24 horas, põe termos a 48 anos de Ditadura em Portugal. Este será o início de um conturbado processo de transição, pela via revolucionária, que culminará na aprovação de um novo texto constitucional em Abril de 1976 e na instauração de uma democracia pluralista de «tipo ocidental».
Há muito que cientistas políticos e historiadores assinalam o carácter original e inesperado desta transição. Prevalecem, no entanto, polémicas e, sobretudo, muitas dúvidas e incógnitas sobre alguns dos seus aspectos mais específicos.
Saliente-se ainda que, passados 30 anos sobre o derrube do regime fascista, a transição desperta um crescente interesse enquanto objecto histórico. Para tal contribuem factores diversos como a abertura de arquivos com documentação fundamental sobre o tema, a divulgação de novas entrevistas/testemunhos de protagonistas e, ainda, o facto de o mito da falta de distanciamento em relação ao período se ir progressivamente dissipando. Desta forma, reúnem-se as condições ideais para que novos progressos sejam feitos neste domínio. Foi neste sentido que o IHC deu início a uma nova linha de investigação sobre a temática.


Objectivos

 
Os principais objectivos desta área são:
- abertura e desenvolvimento de uma nova área de investigação no âmbito da História Contemporânea
- desenvolvimento de ferramentas informáticas de apoio à investigação (bases de dados bibliográficas, documentais, etc.)
- recolha de testemunhos orais sobre o período, levantamentos bibliográficos e  documentais
- realização de um colóquio
- participação em encontros cientificos
- elaboração de dissertações de mestrado e doutoramento
- produção de artigos e obras


Actividade

 
Apesar de embrionária, esta área temática tem vindo a ganhar crescente importância na investigação realizada no IHC. Desde logo pelo desenvolvimento de projectos de tese de mestrado e doutoramento, incidindo sobre aspectos centrais da transição como sejam o “caso Rádio Renascença”, o papel das Forças Armadas, dos movimentos sociais, etc.
Depois, pela promoção de um colóquio onde se pretendeu analisar, com o contributo de especialistas e participantes, as principais rupturas e mudanças introduzidas pela revolução de Abril no plano social: relações laborais, titularidade dos meios de produção, direito à habitação, sistema educativo e direitos das mulheres. A análise comparativa também não foi descurada, incidindo essencialmente na comparação com os processos de transição em Espanha e no Brasil.
Finalmente, pela produção de alguns artigos e obras que permitiram abrir novas perspectivas à investigação e ao debate sobre este momento central do Portugal Contemporâneo.

Encontros científicos e conferências:
António Fernando M Ribeiro Reis: Co-director científico (com o Doutor Juan Carlos Jiménez Redondo) do Seminário La Luz al Final del Túnel Las Oposiciones Politicas en el Ocaso de las Dictaduras Ibericas, no âmbito do Foro Ágora - El Debate Peninsular, organizado pelo Gabinete de Iniciativas Transfronterizas da Junta de Extremadura de Espanha, Cáceres, 20 e 21 de Outubro de 2003.
António Fernando M. Ribeiro Reis e Maria Inácia Rezola: organização do Colóquio Internacional As Conquistas Sociais de Abril: Passado e Presente, organizado pelo IHC da FCSH/UNL, 20, 21 e 22 de Maio de 2004.
António Fernando M Ribeiro Reis, lição sobre El proceso revolucionario (abril 1974 - noviembre 1975) no curso sobre El Portugal del 25 de Abril: análisis histórico de los antecedentes y sus consecuencias, dirigido pelo Prof. Doutor Hipólito de la Torre Gómez no âmbito dos XV Cursos de Verano de la UNED, Mérida, Julho de 2004.


Investigadores

 

Investigador responsável: Maria Inacia Rezola y Palacios Clemente
António Fernando Marques Ribeiro Reis
Fernando José Mendes Rosas

Constantino Piçarra
Francisco Bairrão Ruivo
João Madeira
Madalena Soares dos Reis
Paula Alexandra Fernandes Borges dos Santos
Ricardo Noronha